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Tuesday, December 23, 2014

Encarnado não é cor

Há muitos anos, quando estudava Comunicação Social, disse, a propósito de algum tema irrelevante, trazido à liça numa das inúmeras aulas desinteressantes que tivemos: «encarnado não é cor».
Durante o tempo em que as hormonas descontroladas de certos colegas falaram mais alto, ouvi-os a parodiar aquela afirmação.
Nesta quadra natalícia, gostava de dedicar-lhes uma passagem de «Sandokan & Bakunine», um livro da autoria de Bruno Margo que, curiosamente, estudou Ciências de Comunicação.

«Atrás de Artur, reflectido no espelho, Bakunine comentou:
- Sim, encarnados é que era.
- Encarnados?
- Sim.
- Os dentes não são encarnados.
- Claro que não. - Fez uma ligeira pausa. - Os dentes são brancos de leite. - Terminou a frase com um uivo. - E não é encarnado, é vermelho.»

Bom Natal a todos!

Friday, October 17, 2014

Luis Sepúlveda em «Uma história suja»

A capacidade de assombro


(...)
«Para que as pessoas possam ir aos restaurantes, hotéis e bares precisam de dinheiro, e portanto de trabalho seguro e assegurado. Na verdade, ninguém se espanta perante semelhante desproporção? É verdade que a Espanha tem os serviçais e criados mais bem preparados do mundo. Filólogos, cientistas sociais, engenheiros de imagem e som, licenciados em Filosofia e Letras e um largo et cetera de profissões frustradas por um evidente atraso de desenvolvimento adornam os currículos do pessoal que serve nos milhares de bares espanhóis. Não é espantoso que esta realidade seja elevada à categoria de modelo imitável em toda a Europa?»

Wednesday, March 26, 2014

In "A Boa Viúva", de José Vilhena

Página 13
- Tenha dó de mim, senhor D. Bernardo, que sou uma pobre mulher sem amparo e com três filhos para sustentar. Mais do que isso comem eles em quinze dias...
- Porque estão mal habituados, fica sabendo! Aqui na lavoura, quanto menos banhas tiver o pessoal, melhor...

Páginas 15 e 16
(Senhor Conde D. Bernardo):

- Sua cabra! Isto quanto mais pobres, mais peçonhentos, é certo...

Página 43
Como deveis estar recordados, o senhor D. Bernardo tinha uma péssima pontaria quando atirava com armas de fogo, embora acertasse razoavelmente na mouche quando usava outros instrumentos de ataque, nomeadamente as cunhas, as ameaças e extorsões políticas e as pressões económicas.

Página 65
- (...) Sei de fonte limpa que há por aí uns sacanas de uns juízes que têm a mania de aplicar o código a torto e a direito e tanto se lhes dá mandar dentro o Côdeas como o Conde das Fajozas...
- Devem ser tipos que vieram do nada, com toda a certeza. – observou perspicazmente a D. Mafalda – Gente sem princípios e de formação esquerdista...

Monday, March 24, 2014

A Lâmpada de Aladino

Desventura final do capitão Valdemar do Alentejo

"Somos homens livres, irmãos do mar sem chicote nem amos, a cada um o que não cause inveja, a todos tecto, lareira e uma enxerga."

"E, no entanto, não sentia medo, porque tinha feito da sua vida o que o coração lhe ditara e dava-a por bem entregue."

Luis Sepúlveda

Thursday, March 06, 2014

Isto é outra conversa, in A Bola TV

Em entrevista a Leonor Pinhão, o professor Manuel Sérgio foi o exemplo vivo de que vale a pena haver quem pense. Aqui ficam duas pequenas amostras:

"A praxe é uma prática fascizante (...) porque sempre que o Homem é objecto e não é sujeito, a prática é fascizante."

"Temos que fazer um mundo novo. Mesmo a falar de futebol, o nosso fito tem que ser outro: tomar partido, não ser neutro."

Wednesday, July 17, 2013

É a vida, Alvim!

No dia 12 de Maio de 2013, Fernando Alvim convidou o jornalista Paulo Bastos e o ultramaratonista Carlos Sá, para dois, três, ou muitos mais dedos de conversa.

Para aqueles que não tiverem tempo para ver o programa completo através do link em baixo, aqui ficam algumas ideias de Paulo Bastos:

http://www.tvi.iol.pt/programa/e-a-vida-alvim/4773/videos/299474/video/13866283/2

"o jornalismo não é só escrever notícias (...) aquilo que significa ser jornalista, que é ser cosmopolita, que é dar-se tão bem com ricos como com pobres, conseguir perceber quem funciona à esquerda, quem funciona à direita, quem vive num bairro de lata, quem vive numa penthouse... é uma maneira de estar na vida!"

"um jantar entre jornalistas é uma coisa cheia de histórias (...) agora é diferente: a malta está toda agarrada ao iphone e ao android"

"faz falta as pessoas voltarem a descobrir o olhos nos olhos, falarem mesmo, não é por email que as coisas se resolvem, não é no facebook que as coisas se resolvem, não é nos sms's que as coisas se resolvem (...) de cada vez que eu estou com essas duas ou três pessoas, mas estou mesmo, eh pah! a vida fica enorme; é uma sensação tão boa!"

Friday, July 05, 2013

Fundação Oriente - Museu

A propósito de uma mostra de cartazes de propaganda chinesa.

Mao Tsé-Tung:

"Ser atacado pelo inimigo não é uma coisa má mas sim uma coisa boa."

Saturday, February 26, 2011

Ao cuidado do Exmo. Sr. Fernando Lopes

Depois da sua magnífica obra dedicada ao pugilista Belarmino, creio que está na altura de completar a sequela, dedicando um filme ao antigo treinador de futebol do Sporting, Paulo Sérgio, despedido esta manhã.
Converse com a sua companheira, Maria João Seixas, e questione-a sobre a hipótese de chamar a esta nova película Forcado. Por mim, o nome está aprovado, conhecida que é a paixão de Paulo Sérgio pela tauromaquia.
Deixo-lhe, tintim por tintim, as palavras que tornaram o jovem treinador na figura central de um filme que nem o próprio se apercebeu que estava a ser realizado:
“Enquanto a Direcção entender que, que eu me levanto todos os dias, porque isto é como no boxe... quem vence não é quem bate mais, é quem aguenta mais pancada. Eu estou todo negro, mas com vontade de levar mais”.

Monday, February 21, 2011

Durante a conferência de imprensa, após o Sporting-0-Benfica-2...

Surgiu uma voz feminina, supostamente de uma jornalista (estagiária ou não, não se sabe), cuja imagem a RTP N (como é hábito, e bem!) não mostrou. Manifestou-se exactamente assim:

“Boa noite! Jorge Jesus… pergunto-lhe duas coisas: primeiro, o que é que achou da expulsão por duplo amarelo do Sidnei, se considerou justa ou se achou que o Artur Soares Dias foi demasiado severo; e a segunda é se chegou a temer perder o Jardel quando ele teve aquele problema na, na cabeça”.

Ou a cunha é valente, ou a rapariga… tem um dormir com marca registada!

Tuesday, August 11, 2009

Lembrando Henrique José de Souza...

... citado na Quinta da Regaleira.








"Conduz-me do ilusório ao real, das trevas à luz, da morte à imortalidade"

Saturday, April 04, 2009

No interior de "Companhia das Índias"


"Tenho uma arte que muitos temem: a de saber ferir aqueles que me ferem"


Arquíloco VII A.C.

Thursday, January 01, 2009

Dica para 2009, lembrando Sepúlveda

“É-se muito jovem até aos 18 anos, depois é-se simplesmente jovem e este estado é mantido pelos sonhos até ao túmulo” in O Poder dos Sonhos.

Wednesday, December 31, 2008

Recomendação de um Enólogo para o Réveillon

"Os Aloendros do Esporão inspiram este vinho, feito com amor e com saudade, suave e perene como a flor sem nome que todos os anos floresce em memória de um amor eterno.
Alandra Tinto foi produzido a partir das melhores castas tradicionais tintas. É um tinto de cor rubi, aroma jovem com carácter frutado, na boca exibe a harmonia de frutos vermelhos e a elegância dos taninos finos."
Atenção: não confundir com Malandra Tinto!

Saturday, November 01, 2008

Primeiro as senhoras – Relato do último bom malandro (2006)

Página 11

“Como diz o Falinhas, o sonho de todo o freguês é sair sem pagar a conta.
O Falinhas é um filósofo que distribui copos pelas mesas do Bar Afunda, respeitável estabelecimento de que este declarante é co-proprietário. (…)
O sinal particular do Falinhas é o tom de voz. Ele não fala, segreda. (…)
Profissional de mão-cheia a aviar bebidas, o Falinhas é, mais que tudo, um mimo de gente. E ainda há semanas me espantou com um talento novo: toca piano.”

Página 25
“Liguei para o Falinhas. Depois de instalado na furgoneta do Bar Afunda, apeteceu-me assobiar. Ainda não inventaram nada melhor que a sensação de alívio, seja da cabeça ou da barriga.”
MÁRIO ZAMBUJAL

Saturday, June 14, 2008

O casamento de João e Maria

Padre: João, promete amar e ser fiel a Maria, na saúde e na doença, nos bons e nos maus momentos, até ao final dos vossos dias?
João: Sim… nos primeiros dois anos.
Padre: Maria, promete amar e respeitar João, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte vos separe?
Maria: Sim… enquanto ele receber bem.
Padre: Se ninguém se opõe, declaro-vos marido e mulher.

Sunday, March 11, 2007

Na barra do Tribunal

Alzira, Deolinda e Genoveva caminham para os sessenta anos. São donas de casa e já só fazem um ou outro trabalho de costura, actividade que desempenharam durante anos a fio, enquanto os maridos iam para os seus trabalhos: um na construção civil, outro era dono de um café, e havia um que era taxista.
Estas três senhoras, actualmente com poucos trabalhos para fazer, excluindo uma ou outra bainha ajeitada a uma vizinha ou familiar mais chegada, ocupam o tempo de que dispõem a comentar a vida dos outros.
Há uns anos, este trio, juntamente com as suas vizinhas de Alfama, juntava-se perto das Escadinhas de São Miguel e ali ficava a conversar e a produzir diatribes horas a fio, enquanto os trabalhos de costura eram deixados para depois. Nos tempos que correm, tudo é diferente. A vida dos outros é seguida via televisão, como se os ditos famosos que aparecem no grande ecrã fizessem parte da família dessas pessoas, ou então em sessões de julgamento nos mais diversos tribunais de Lisboa.
De há uns dois anos para cá, Alzira, Deolinda e Genoveva vão, pelo menos, três vezes por semana ao Tribunal da Boa Hora, assistir aos julgamentos que ali decorrem, cujos intervenientes são pessoas suas desconhecidas. No entanto, findas as audiências, aquelas senhoras têm sempre uma opinião para dar, sem cobrarem qualquer preço: ou que o juiz avaliou mal aquele caso; ou que se o homem queimou a mulher foi porque tinha motivos; ou que a mulher apenas quis o divórcio porque estava farta de viver com um bêbado; ou que a criança deve ficar sob a custódia do pai e da madrasta; ou que aquele homem é pedófilo; ou que o tal engenheiro é um violador compulsivo.
Sobre todos estes casos elas têm algo a dizer, discordando muitas vezes dos juizes: “é uma injustiça”, clamam nessas alturas, como se aqueles homens de capa negra estivessem a condenar injustamente alguém das suas famílias ou a ilibar criminosos que elas juram serem culpados. E é curioso ver como se multiplicam os comentários no final de cada sessão, como se criam pequenas assembleias à porta do Tribunal da Boa Hora, com outras senhoras e senhores de outros bairros típicos de Lisboa, para julgarem os pecados públicos dos arguidos. Como se não tivessem telhados feitos daquela substância sólida, transparente e frágil, obtida através da fusão de sílica com potassa ou soda, a que habitualmente se chama vidro.
Mais curiosos são os diálogos de Alzira, Deolinda e Genoveva no caminho de regresso ao bairro de Alfama. A meio do percurso, já esqueceram os casos daquele dia e pensam novamente nos vizinhos daquelas ruas esconsas onde habitam.
Genoveva vira-se para as amigas e diz que “quem precisava de ser preso era o Júlio, que anda sempre a bater no pobre do filho mais novo”. Deolinda contrapõe, em defesa de Júlio, que por acaso até já foi seu amante, que “devia dar-lhe com mais força, porque o raio do miúdo é um traquinas de primeira”. E é Alzira quem conclui, desempatando aquela contenda: “é uma barbaridade bater na cabeça do Arturzinho com uma colher de pau. Ainda por cima, o miúdo anda estudar. Se um dia ele tirar más notas, depois admirem-se e digam que não sabem por que é que foi”.